Blog do Gebê
  

Válber: O craque que não foi

       

por Eduardo Neubern

 

Quem acompanha a modorrenta edição 2009 do Campeonato Paulista e, em especial, a agonia do Mogi Mirim rumo ao rebaixamento, sente saudade dos grandes times do interior e fica propenso a folhear a história do torneio em busca de algo mais emocionante que Bragantino x Guaratinguetá. Pelos idos de 92 este leitor encontrará algo sobre o Carrossel Caipira do Mogi Mirim de Vadão, protagonizado por Válber da Silva Costa. Estrela da companhia e muito bem assessorado por Leto e por Rivaldo, Válber foi vítima de uma mazela bastante frequente no futebol: o excesso de expectativa.

 

Válber é maranhense de São Luís e completou 37 anos no dia 6 de dezembro. Iniciou sua trajetória aos 20 anos pelo Santa Cruz, chamando a atenção do Mogi Mirim, para onde se transferiu no mesmo ano. O que poderia ter sido apenas mais uma transferência foi, na realidade, o divisor de águas na carreira do meia-atacante.

 

No interior de São Paulo Válber conheceu o técnico Vadão e seu esquema 3-5-2, na época mais exótico que cartola competente. Com Válber vieram Rivaldo e Leto. Foram esses os ingredientes chave na montagem do Carrossel Caipira, como ficou conhecido o time do Sapão. No Paulista de 92 o Mogi incomodou muito os grandes, mas em termos práticos morreu na praia e não conseguiu reviver a façanha do Bragantino de Luxemburgo dois anos antes. Obteve, no entanto, o título da Copa 90 anos da Federação Paulista de Futebol e do Grupo Amarelo do Campeonato Paulista. Válber sagrou-se artilheiro do Paulistão com 17 gols. Nascia o craque.

 

Sem pestanejar, o Corinthians fez questão de comprar o passe de Válber, em badalada transação. Sem a mesma convicção, o clube trouxe Rivaldo e Leto por empréstimo. Em novembro de 93, Válber teve sua primeira e última aparição pela Seleção, em amistoso contra a Alemanha que serviu para Parreira testar alguns jogadores. Aos 21 anos, vivia o ápice da carreira.

 

Rivaldo passou então a eclipsar Válber, que aparentemente sentiu o peso das expectativas, possivelmente desmedidas, que lhe pesavam sobre as costas. Foi então que a carreira dos dois companheiros tomou rumos distintos. Rivaldo disputaria duas copas e seria campeão do mundo, ao passo que Válber estaria fadado à tradicional vida cigana levada pelos craques que nunca foram.

 

Seguindo o script da contratação que não vingou, Válber transferiu-se para o Yokohama Flugels em 94. No ano seguinte, retornou ao Brasil para defender o Palmeiras, onde atuou justamente na entressafra de títulos de 95 sob o comando de Otacílio Gonçalves. Sem espaço após a reformulação que resultaria na máquina alviverde do ano seguinte, o jogador foi defender o Inter-RS. Seis meses depois, desembarcava em São Januário.

 

No Vasco, ao lado de Juninho, Válber teve um início empolgante, com direito a gol na estreia. No entanto, a fase do time não ajudou e, depois de 15 gols em 48 jogos, o meia deixou o clube cruzmaltino. Novamente, deixava um grupo que seria campeão no ano seguinte. Frustrado, voltou a cair na estrada.

 

Além de mais duas passagens pelo Japão (97 e 99), positivas do ponto de vista financeiro, o jogador vestiu as camisas de Goiás, Ituano, Ponte Preta e Atlético Paranaense (2000-01, adivinhou quem disse que ele não fez parte do grupo campeão brasileiro). Em um clichê desse tipo de jogador, voltou para o Mogi Mirim no período 2001-2003 em busca das glórias do passado, de onde rumou, possivelmente com o mesmo intuito, para o Santa Cruz, até retornar em 2004 para o Sapão, onde encerrou precocemente a carreira aos 33 anos.

 

Após pendurar as chuteiras, Válber mudou-se com a esposa e as duas filhas para Brasília e decidiu investir as economias dos tempos de jogador no mercado imobiliário. Em outro movimento natural, como confirma o caso atual de Carlos Alberto Parreira, Válber não suportou a distância do futebol e decidiu abrir uma consultoria esportiva ligada ao Mogi, a VSC. Hoje o ex-jogador caça talentos Brasil afora e administra a carreira dos craques do futuro. Nesta atividade, participou da transferência de Edson Ramos do Sapão para o AEK da Grécia. Ele aposta ainda nos jovens Aílton e Gil.

 

Superestimado no início da carreira e com uma certa dose de azar, Válber faz companhia a uma série de quase-craques do passado e do presente. Mesmo assim, deixou seu nome na história do Paulistão.

 

Válber

Nome completo:
Válber da Silva Costa

Data de nascimento:
06/12/1971

Posição:
MeiaAtacante

Local de Nascimento:
São Luís, MA

Clubes que defendeu:
1991: Santa Cruz
1992: Mogi Mirim
1993: Corinthians
1994: Yokohama Flugels-JAP
1995: Palmeiras
1995: Internacional
1996: Vasco da Gama
1998: Ponte Preta
2000-01: Atlético-PR
2001-03: Santa Cruz
2004: Mogi Mirim

Do site www.trivela.com



Escrito por gebê às 17h14
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   SÉRIE A2 À VISTA

O time de Rivaldo deve cair

O Mogi Mirim da era Rivaldo mostrou mais uma vez que vai precisar de tempo. Muito tempo, para assimilar as dificuldades que os clubes enfrentam para disputar a elite do futebol paulista.

Contra o Guarani, na noite deste sábado, o time mais uma vez decepcionou. E desta vez, diante de um dos maiores públicos do Mogi Mirim em seu estádio (contra time grande não conta)

Foram mais de quatro mil pessoas que enfrentaram o horário ruim (18h30) e a chuva que caiu sobre a cidade na hora do jogo. Inconformados, parte dos jogadores gritaram um coro já conhecido nos estádios quando um time não demonstra vontade de vencer; “vergonhaaaa... time sem vergonhaaaa...”

È isso que realmente o grupo passa para a cidade. Um time sem brio. Sem motivação. Usando um termo chulo: um time sem tesão em campo.

Até parece que os jogadores que aí estão, não estão nem aí com a história do clube. Estão pouco se lixando com o futuro do projeto elaborado pelo Rivaldo quando ele assumiu a direção do clube. Estão apenas de passagem.

E como acontece em ocasiões como esta em que vive o Mogi Mirim, as conseqüências vão surgindo, se bem que em muitos casos abafados pela diretoria.

É o que está acontecendo no Mogi Mirim. Dentro de campo, a situação é desesperadora e fora dele, os jogadores ajudam a deixar o ambiente mais conturbado.

Vejamos alguns exemplos: o meia Andrézinho chegou a ser anunciado oficialmente como novo reforço do clube, mas não chegou a pisar no clube. Nenhuma explicação foi divulgada pela assessoria do clube.

O meia atacante Evandro, jogador problema desde os tempos de Argel, sem nenhum motivo aparente (pelo menos para a imprensa) foi desligado do plantel e nenhuma nota foi divulgada.

O lateral Paulo Henrique, considerado pela imprensa da cidade e pelos profissionais que acompanham as atividades do clube, como dono de um futebol muito superior aos apresentados pelos jogadores da posição que estão atuando e não foi aproveitado por nenhum dos três treinadores que comandaram o time neste Paulistão. Nada foi divulgado à respeito.

O zagueiro Leomar, um dos melhores da zaga do atual elenco, misteriosamente foi afastado do time titular sem nenhuma explicação. Questionado, o jogador diz que está com vontade de jogar. Nos bastidores do clube, há quem diga que ele não aceitou uma renovação antecipada de contrato, já que em maio vai ficar com passe livre. Pelo menos nenhuma nota foi divulgada sobre o fato.

Na sexta-feira, o goleiro reserva Fabiano Heves, segundo informações extra-oficial, se indispôs com o grupo e foi afastado, sendo substituído pelo Cléber, terceiro goleiro. Pessoas ligadas ao clube comentaram que Fabiano teria sido questionado pelos demais companheiros sobre supostos comentários desabonadores sobre o time, em roda de amigos pela cidade.

Afeita a entrevistas coletivas, a diretoria de futebol do Mogi Mirim, formada pelo Cléber Américo e César Sampaio, em momento algum procurou reunir os jornalistas que atuam junto ao Mogi Mirim, para dar explicações e revelar que medidas estão sendo tomadas para evitar o inevitável neste momento.

Ou seja, o rebaixamento.

Como o futebol não permite erros, Rivaldo vai pagar caro por ter confiado o seu projeto pessoal de fazer do Mogi Mirim um time de destaque no cenário nacional. Vai pagar caro pelo fato de ter disponibilizado uma quantia vultuosa para assumir o comando do time e por ter utilizado cerca de um milhão e meio de reais para montar este time que representa o clube no Paulistão.

Rivaldo está pagando caro pelo seu noviciado como dirigente. Mas como é novo ainda e tem recursos, vai conseguir dar a volta por cima e trazer de volta o Mogi Mirim para a Série A1 do Futebol Paulista, já que depois da derrota para o Guarani, na noite deste sábado, 21, pode-se dizer que uma das vagas do rebaixamento já é do Sapo.
No futebol não acontecem milagres. Não há salvadores da pátria.

No futebol existe planejamento, competência, comprometimento. Atributos que aparentemente não existem neste grupo autorizado pelo Rivaldo para representar o Mogi Mirim.

O presidente do Mogi Mirim precisa entender que a cidade gosta do time e deu uma prova disto neste jogo com o Guarani, quando mesmo sabendo que a situação é de desespero e que o grupo não inspira confiança, compareceu em grande número ao estádio.

Foram mais de quatro mil pessoas que apoiaram, acreditaram e que só vaiaram o time ao perceberem que o esforço foi em vão.

Agora, Rivaldo, é rever conceitos. Trocar os incompetentes e aqueles que não conseguiram mostrar comprometimento com o projeto elaborado e planejar uma boa participação na Copa Paulista e conquistar a vaga para a Copa do Brasil em 2010. Só assim você e seus diretores vão mostrar para a cidade que o projeto elaborado para o Mogi Mirim é ambicioso, já que o Paulistão para a próxima temporada já era.



Escrito por gebê às 16h58
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